O POLVO E O PARADOXO

Por mais tempo que passe e por mais tempo que possamos viver em sociedade, existem regras da mãe natureza que o homem nunca irá conseguir alterar. Como todas as espécies do reino animal também o ser humano tem as suas regras próprias de acasalamento.
(sobre as plantas não me pronuncio, pois assumo desconhecer os seus métodos de sedução..... sinceramente no reino dos vegetais não parece sequer haver lugar para o sexo. Uma batata à partida parece ser sempre fêmea. Conseguem imaginar um batata macho? Se calhar até existe uma grande promiscuidade. Tipo o tomate come a batata, que por sua vez anda com o penino, o qual é amante da couve flor..... enfim, já para não falar da órgia em que se pode tornar uma salada russa)
É o caso das regras básicas de acasalamento na nossa espécie. Nem mesmo o mais bandido dos bandidos consegue alterar estas regras. Como em todas as espécies os sexos têm funções distintas: o macho cumprirá sempre determinadas tarefas, enquanto as fêmeas terão um papel completamente diferente. E tudo isto para chegar à questão da escolha! Por muito que isto custe ao maior machão dos machões, é sempre a fêmea que escolhe.
E vou dar um exemplo muito básico. O exemplo de homem em dia de caça numa discoteca (falei em caçador e não em bandido..... não confundir). Quantas mulheres ele não tem de tentar seduzir até conseguir que alguma lhe dê alguma hipótese. Na realidade, ela não lhe está a dar uma hipótese. Ela escolheu-o, entre muitos outros que tentaram aproximar-se, lançar o seu sorriso malandro e o seu olhar matador, ela decidiu que seria aquele que teria oportunidade de invadir o seu mundo.
E é sempre assim. Em qualquer contexto, ele pode analisar o campo que tem de acção. Selecciona algumas potenciais vítimas e tenta disparar os seus dardos anestesiantes. Contudo, só quando alguma o escolhe é que ela tem oportunidade para mostrar o que vale e demonstrar que tem capacidades que o tornam o macho ideal para acasalar.
Por vezes as regras sofrem ligeiras mutações. Nestes casos, ela não só decide quem é o escolhido, como também decide ser ela a caça-lo.
Se existissem dados estatísticos seria facilmente demonstrável que a percentagem de êxito de uma mulher que aborda um homem é indiscutivelmente superior às situações em que o contrário acontece. Para mais, mesmo nas situações de sucesso em que é um homem que se aproxima, acaba, na maioria dos casos, por ser ela a escolher. Assim, não será difícil de provar que são verdadeiramente raras as situações em que é o homem que escohe.
Tenho a certeza que uma amiga minha está neste momento a pensar no mundo subaquático. Está a pensar nos paralelismos existentes entre o acasalamento do ser humano e o acasalamento dos polvos. Também este é um caso evidente em que é a fêmea que escolhe. Depois de saborear (ou melhor, medir o graude pureza) do sémen de vários espécimes masculinos (através da introdução de um tentáculo mais comprido na boca da polva), ela decide com com qual é que deseja acasalar. Giro, não é?
Agora, já sabem porque é que coloquei a palavra Polvo no título. Só falta o paradoxo. Todavia, também não é complicado perceber porque e que ela cá está. Voltemos às histórias do bandido. Já imaginaram uma situação em que é a pessoa a quem lhe roubam a carteira, que escolhe o ladrão? Um paradoxo não é? Pois é isso mesmo que acontece com o bandido. Na realidade, são quase sempre as suas vítimas que decidem que querem que ele lhes roube o coração.
Confiem em mim.... eu já vi isto acontecer muitas vezes.



